Dicas de livros

A Batalha das Ardenas, de Antony Beevor

Salve, espectadores do canal. Antes de começar a falar do livro de hoje, eu gostaria de lhe perguntar: você já assistiu a minissérie Band of Brothers? Se sim, você já ouviu falar do tema sobre o qual esse livro aborda, embora ele apareça em outras mídias também. Esse livro foi escrito por um dos escritores de Segunda Guerra Mundial mais prolíficos do mundo, que embora não seja exatamente amado por todos, lança livros com muitos méritos e com uma linguagem muito acessível. O livro de hoje é A Batalha das Ardenas: a cartada final de Hitler, de Antony Beevor, lançado em 2018 pelo selo Crítica, da Editora Planeta.

O autor já é bem conhecido dentro do mercado editorial brasileiro, até porque os principais livros dele vieram parar aqui; mas até onde eu sei, essa é a primeira vez em que um livro dele é publicado pela Editora Planeta. Ele é um dos autores britânicos sobre Segunda Guerra Mundial mais populares atualmente, especialmente porque ele tem uma escrita muito acessível. É um daqueles autores que têm critério na pesquisa, mas se preocupa em escrever de forma simples para todos os públicos, uma característica que é bem notável nas suas obras anteriores. Em uma área tão cheia de livros, é difícil se destacar, então creio que Beevor merece algum crédito por isso.

O título do livro já entrega o assunto, mas eu sei que muitos de vocês não sabem do que se trata, ou talvez conheçam essa batalha pelo nome de “Batalha do Bulge”, então eu vou tentar explicar resumidamente o que foi esse evento.

Battle of the Bulge.jpg

Em dezembro de 1944, os Aliados já estavam há meses em território francês, já tinham liberado Paris e estavam em uma situação bem vantajosa em relação à Alemanha. No entanto, ainda havia uma série de discordância no alto comando aliado, com conflitos de interesses entre generais da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos, além de diferenças de estratégia. Nesse mês, os alemães resolveram atacar os Aliados de surpresa na região da floresta das Ardenas, localizada na Valônia, na Bélgica. A ideia era dividir americanos e britânicos ao meio, prejudicar ambos ao cortar o contato e a possibilidade de apoio militar e logístico entre um e outro, e dessa forma os alemães poderiam capturar a Antuérpia pra poder cercar e derrotar os Aliados, forçando-os a aceitar um tratado de paz com o Eixo.

E por que Hitler queria tentar forçar um tratado de paz com os Aliados? Porque ele sabia que não poderia vencê-los em combate. A derrota da Alemanha, naquele contexto, era só questão de tempo: o Japão e a Alemanha não se ajudavam mutuamente, porque cada país estava cuidando de seus próprios problemas, Mussolini já era carta fora do baralho naquele momento e os alemães, depois da derrota na Batalha de Kursk, na União Soviética, nunca mais conseguiram reconquistar algum território no leste, sendo pressionados pelo Exército Vermelho a recuar. Tendo que lutar no leste contra os soviéticos, e a oeste e sul contra os demais Aliados, não havia nenhuma chance de reviravolta naquela guerra. Ou os alemães davam um jeito de fazer os Aliados ocidentais desistirem para focar no Exército Vermelho, ou a derrota seria inevitável.

A batalha foi a mais sangrenta que o exército dos Estados Unidos teve que enfrentar em toda a guerra, além de ter sido extremamente sofrida pela dureza do inverno, o que explica o fato de, até hoje, a mesma ser reverenciada. Ao se ressaltar as glórias de batalhas do passado, seja por meros fins de entretenimento ou com intenções propagandistas, os Estados Unidos precisam apelar para os momentos de maior sacrifício, e os dois exemplos mais citados são a invasão da Normandia (especialmente da Praia de Omaha) e a Batalha das Ardenas. Dada nossa proximidade com a indústria cultural dos Estados Unidos, é compreensível que estes episódios cheguem a nós.

A dureza desse embate é algo que o livro de Beevor passa muito bem. Uma característica do autor – que está presente nas outras obras que ele escreveu – é a alternação entre uma narrativa mais macroscópica e contextual e trechos mais microscópios e intimistas, dando vislumbres bastante reveladores da vida dos envolvidos, desde os soldados que lutaram no conflito até os civis dos diferentes países que serviram de palco para esse massacre.

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Até a separação dos capítulos acaba refletindo essa abordagem de Antony Beevor. Assim como você tem capítulos mais contextuais, que abordam algumas semanas, em boa parte do livro Beevor optou por dedicar um capítulo para cada dia de batalha. Do dia 16 ao dia 26 de dezembro, cada um dos dias de combate teve um capítulo inteiro dedicado a eles, seguidos de capítulos explicando o contra-ataque dos Aliados e, claro, sua vitória.

Se você é um entusiasta da Segunda Guerra Mundial, como eu, esse livro é leitura obrigatória. Se você não é tão empolgado sobre o assunto, mas se interessa, é importante frisar que ele fala de um evento bem específico. Mas eu, sinceramente, acho pouco provável que você se arrependa de ler. A leitura dos livros do Beevor é muito tranquila, não tem aquele peso que normalmente você encontra em livros acadêmicos mais técnicos, e tem potencial para agradar todos os públicos.

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